Rosângela Lemes dos Santos, 54 anos, e Waldemar Prudêncio Júnior, 65 anos, representam o aspecto mais significativo da retomada das cirurgias eletivas: o desejo do corpo diretivo da Santa Casa de Araçatuba de acabar com o sofrimento dos integrantes de uma das filas mais longas e longevas da história mais recente do hospital, devolvendo a qualidade de vida comprometida pela doença e agravada pela angústia da espera.
Ela, costureira de Mirandópolis; ele, aposentado e residente em Araçatuba, são dois dos 70 pacientes que passaram por artroplastia esquerda de quadril em meados de novembro e no dia 1° de dezembro, respectivamente.
Entraram na fila em 2019 e 2020 respectivamente após consultas e exames de imagem indicarem desgaste severo na articulação esquerda do quadril.
“No começo eu ainda conseguia andar, trabalhar, ter atividades normais. Mas, nesse tempo de espera, a situação se agravou, atingiu meus joelhos e minha coluna”, rememora Waldemar ao detalhar o motivo que comprometeu drasticamente a mobilidade e a qualidade de vida." "Doía demais, eu vivia à base de remédios muito fortes para diminuir a dor." Por causa da limitação para andar, da falta das atividades físicas que sempre praticou e da ansiedade da espera pela cirurgia, Waldemar engordou nos últimos três anos .“Desanimei, muitas vezes achei que a cirurgia não ia sair mais."
As dificuldades e agravamentos decorrentes do tempo de espera não foram diferentes para Rosângela que sempre foi muito ativa e passou boa parte da vida “trabalhando pesado na roça e depois em faxinas quando mudei para a cidade, acho que isso desgastou meu quadril”. Ultimamente, no entanto, para sair de casa em situações inadiáveis, ela dependia de transporte por aplicativo. “Só Deus sabe o que passei, eu estava desanimada. "Tudo mudou quando recebeu o telefonema que esperava há pelo menos cinco anos. “Eu nem acreditei quando a moça disse que minha cirurgia tinha saído, cheguei chorar de emoção”.
Waldemar e Rosângela foram operados pelo ortopedista dr. Fabricio Benez, especialista em articulações dos quadris e coordenador do Serviço de Ortopedia e Traumatologia. Ambos tiveram pós-operatório satisfatório e receberam alta três dias após os procedimentos. Rosângela voltou para Mirandópolis com as instruções que a equipe de fisioterapia da Santa Casa de Araçatuba repassa para os pacientes fazerem em casa e com indicação para sessões a serem feitas em sua própria cidade. “Agora, vida nova e agradeço muito a Deus por ter sido chamada e ter sido tão bem tratada pela equipe da cirurgia e todos os enfermeiros desse setor”, disse.
Os pacientes voltarão ao Ambulatório de Ortopedia da Santa Casa de Araçatuba para avaliação e alta do tratamento. “Agora é só alegria, tô indo embora pra casa superbem. Já estou até ficando reto, olha... antes eu só andava curvado. Passando os dias, vai melhorar cada vez mais e é isso que eu quero e preciso”, disse Waldemar momentos antes da alta hospitalar. E completou: “a Santa Casa me ofertou uma qualidade de vida e vai continuar ajudando muita gente que está esperando para fazer cirurgia”.
A alegria dos dois pacientes reflete uma regra que o ortopedista dr. Fabricio Benez tem observado desde o início da retomada das cirurgias eletivas. “É isso que a gente quer, que o paciente saia feliz e transforme isso numa nova vida para ele; o médico tem esse objetivo. O médico está aqui para curar, para ajudar, para apoiar e para resolver esse tipo de problema. Que isso (a retomada) não retroceda, sempre avance”.
O provedor Dr. Éverton Santos explica que a retomada foi implantada sob a racionalização do processo, no sentido de realizar cirurgias eletivas de forma frequente. "Nosso objetivo é que a gente tenha um tempo razoável de permanência dos pacientes na fila, que seja um tempo saudável. Que as pessoas não fiquem mais 10 anos numa fila esperando uma cirurgia. Nosso objetivo é que esse tempo seja radicalmente diminuído e o paciente tenha um atendimento tempestivo dentro de um prazo razoável", define o provedor.

